Recuperação de Mananciais: sinônimo de vida, futuro e desenvolvimento sustentável

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No Dia Mundial do Meio Ambiente, um exercício de reflexão sobre a água é quase uma obrigação. Até nossa história recente, hipervalorizamos o desenvolvimento e usamos, sem o controle necessário, os recursos naturais para atingir novos padrões de qualidade de vida e conforto – benesses comuns ao mundo moderno, mas que, hoje, nos cobram um preço alto.

Entre os prejuízos que o progresso e a urbanização desmedida têm causado está a destruição dos mananciais. Por essa razão, a Agência das Bacias PCJ e os Comitês PCJ vêm dedicando especial atenção a essa questão, priorizando investimentos em projetos de recuperação de mananciais em nossas bacias.

A conservação de mananciais é indispensável para o aumento da disponibilidade de água em quantidade e qualidade, com garantia de proteção das bacias hidrográficas e de seus recursos naturais. Os benefícios são inúmeros, entre eles, a regulação da disponibilidade hídrica; o aumento da infiltração da água no solo e a redução do escoamento superficial; a regularização da vazão das nascentes e dos cursos d’água, assim como a manutenção e recarga de aquíferos; a manutenção de parâmetros físicos, químicos e biológicos da qualidade da água; a contenção de processos erosivos; a ampliação da cobertura florestal; e a adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

Nesse sentido, entre 2017 e 2020, estão reservados R$ 13,1 milhões, oriundos da cobrança pelo uso da água, para a Política de Recuperação, Conservação e Proteção dos Mananciais na região de atuação dos Comitês PCJ, um importante instrumento para o desenvolvimento de ações. O documento foi instituído em 2017 por unanimidade, após muitas discussões e estudos entre os membros da entidade. O principal objetivo é o de preservar o meio ambiente e garantir reserva de água para abastecimento, evitando assim cenários drásticos como a crise hídrica de 2014 e 2015.

Os dois programas inicialmente priorizados na Política de Mananciais PCJ são o de Recuperação, Conservação e Proteção Ambiental em Áreas de Interesse, e o de PSA (Pagamento por Serviços Ambientais). Alguns projetos já estão com ações em andamento. Entre eles, o Nascentes Holambra, Nascentes Analândia, Mananciais Charqueada-São Pedro, Nascentes Jundiaí, Produtor de Água, Conservador das Águas e Bacias Jaguariúna.

Recentemente, a Agência das Bacias PCJ e os Comitês PCJ abriram um edital para de seleção de áreas e propostas no âmbito da Política de Mananciais PCJ. A expectativa é a de que mais projetos possam ser financiados nos dois programas e, assim, ampliar as ações o máximo possível. Esse é um dos principais caminhos, a longo prazo, para garantir água e, consequentemente, a vida no futuro.  Além disso, outra importante ferramenta é a conscientização das pessoas quanto à economia de água e a não poluição e destruição das nascentes e corpos d’água.

Corremos contra o tempo para fazer nossa parte, e estamos abrindo espaço e recursos para que a sociedade civil e governos também o façam. Juntos, podemos amenizar, ou, quiçá, reverter, em longo prazo, os danos causados pelo homem no meio ambiente. Mas estamos certos de que isso só será possível se nos unirmos, e, juntos, arregaçarmos as mangas. A vida agradece.    *Barjas Negri é presidente dos Comitês PCJ e prefeito de Piracicaba