Estudo propõe alternativas para garantir água pelas próximas décadas na Bacia do Corumbataí

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Ações foram propostas em estudo sobre alternativas de abastecimento em nove municípios dessa região, apresentado nesta semana pela Agência das Bacias PCJ

Alternativas para garantir o abastecimento de água na Bacia do Rio Corumbataí pelos próximos 20 anos foram apresentadas nesta semana pela Agência das Bacias PCJ. A videoconferência foi realizada nesta quinta-feira, dia 23, com a participação de mais de 70 pessoas, com destaque para representantes dos municípios beneficiados pelo Estudo de Alternativas de Abastecimento da Bacia Hidrográfica do Rio Corumbataí, que são: Analândia, Corumbataí, Cordeirópolis, Charqueada, Ipeúna, Itirapina, Piracicaba, Rio Claro e Santa Gertrudes.

“O estudo foi feito em função da Bacia do Rio Corumbataí ser uma das mais preservadas das Bacias PCJ. Uma bacia que, durante a crise hídrica de 2014, foi a que menos sofreu impacto devido esse alto grau de preservação que ela se encontra. Em função disso e por solicitação de alguns municípios, os Comitês PCJ definiram que seria importante a realização desse estudo”, destacou a diretora técnica da Agência das Bacias PCJ, Patrícia Barufaldi.

O objetivo geral do presente trabalho consistiu na elaboração do planejamento estratégico do uso dos recursos hídricos na bacia hidrográfica do Rio Corumbataí, visando estabelecer as alternativas de abastecimento de água em virtude do crescimento populacional que ocorrerá nos municípios pertencentes a esta bacia. O trabalho foi executado pela empresa Engecorps Engenharia S.A., com investimentos de R$ 476.976,00, provenientes da Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos em Rios de domínio da União (Cobrança PCJ Federal) e deliberados pelos Comitês PCJ.

“Há que se considerar que, no horizonte do planejamento (ano 2040), foram estimados déficits na bacia da ordem de 460 L/s, relativos, principalmente, aos sistemas de abastecimento de água de Piracicaba (395 L/s) e Rio Claro (65 L/s) que podem apresentar dificuldades para suprir o atendimento da demanda de água no futuro. Uma das alternativas para reverter o déficit previsto é a implantação de um barramento em um afluente do rio Corumbataí.

A coordenadora de Projetos da Agência das Bacias PCJ, Elaine Franco de Campos, esclarece que a vazão de regularização desejada do futuro reservatório tem como objetivo oferecer segurança hídrica, “tendo como referência as incertezas associadas aos prognósticos para os diversos usos presentes na bacia hidrográfica, pelo lado da demanda e às alterações climáticas pelo lado da oferta”. Esse índice de segurança percentual aplicado ao consumo total na bacia tem relação com o risco que os diversos usuários estão dispostos a aceitar e, sem sombra de dúvida, impacta diretamente o valor global da implantação do empreendimento.

Também foram propostas diversas ações que visam a uma maior segurança para o abastecimento público dos municípios, como por exemplo, ampliação e melhoria das suas captações, melhoria nas estações de tratamento de água, redução dos níveis de perdas de água nos sistemas de abastecimento de água, entre outras. “Essas ações podem ser viabilizadas pelos próprios municípios, uma vez, que o estudo já apontou a necessidade de contratação e melhoria das infraestruturas. Além disso, o município poderá recorrer a algumas fontes de recursos para viabilização dos projetos e obras”, explicou Elaine.

O estudo também propõe ações em nível de bacia hidrográfica, onde foram evidenciadas a viabilidade de utilização de águas de reuso em alguns municípios, principalmente para aqueles inseridos no polo cerâmico; foram propostas ainda uma maior utilização de águas subterrâneas em determinados municípios. “O estudo identificou os potenciais problemas de cada município inserido na bacia, e analisou os sistemas de produção e abastecimento de água, identificou os déficits e pontuou ações que poderão oferecer maior segurança hídrica para os municípios da bacia no futuro”, comentou a coordenadora.

O secretário-executivo dos Comitês PCJ, Luiz Roberto Moretti, comentou que “foi dado o primeiro passo para a construção das melhores alternativas de equacionamento dos problemas futuros detectados. Dependerá, agora, da mobilização dos agentes envolvidos, principalmente dos municípios envolvidos no estudo, para a tomada de decisão sobre as ações a serem concretizadas”.